sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Síndrome de Amélia

Por Anacris Maia


A gente precisa arrumar a casa, lavar, passar, cozinhar, cuidar do marido, estudar, ser bem sucedida, inteligente, antenada com moda e tendências, andar com unhas e cabelos sempre impecáveis e ainda ser uma ninfomaníaca na cama... Ufa!!! Mas, será que a gente precisa mesmo? Tenho minhas dúvidas...
Acho que essa obrigação toda que carregamos - principalmente quando o assunto é cuidar da casa e marido – vem mais de uma cultura e educação patriarcal e, sem exageros, uma questão moral do que uma verdade. Você tem pilhas de livros para estudar e uma pilha de louças para lavar. Você titubeia e se escolhe os livros, se sente culpada por não ter nem mais um copo limpo para beber água. Se escolhe a louça, se descabela em ansiedade seja porque precisa estudar para uma prova importante
ou para entregar um artigo do mestrado.
Há seis meses vivo em conflito com minhas obrigações e meus interesses. Acredito que as mulheres que me lêem também. Nos primeiros meses, os livros
ficaram encostados, desprezados num canto, enquanto eu, tentando provar sabe-se lá para quem – minha mãe, minha sogra, outras mulheres – que eu era uma dona de casa modelo. Pura perda de tempo. Quando eu terminava a louça do almoço e pensava em tirar um momento “só meu”, logo via a louça se multiplicar como gremlins.
Tô meio cansada de ser mulher maravilha, sabe? Até porque ninguém exigiu de mim essa postura. Eu assumi. Por educação, imposição cultural, enfim, porque eu quis. E como se não bastassem as tarefas domésticas, tinha que ser impecável em todas as outras atividades. É ou não é início de neurose?

O problema é que quando vamos assumindo essas coisas seja para provar sabe-se lá o que e para quem, ficamos um pouco – ou muito rabugentas – e de repente, vamos jogando o papel de namorada de lado para dar lugar à “mãe-chata” que vive dando ordem, reclamando porque acabou de limpar e tem outro sujando, enfim, vida a dois em decadência...
Percebendo esses sintomas, a primeira coisa que fiz foi relaxar. Minha casa, nunca vai estar 100% impecável, nem mesmo em dia de faxina. Uma loucinha ou
outra sempre vai ter, porque não quero me tornar uma bitolada que a cada colher que usa precisa lavar. Eu tenho coisas bem mais interessantes para fazer. Assim como você que me lê, também.
Então, a menos que você sofra de TOC, resista!
A casa não ficará inabitável só porque se permitiu alguns prazeres. Rompa com essa força que diz “tem que ser assim” ou pelo menos a questione. Amélia não era mulher de verdade. Se culpar porque o quarto está meio caótico, porque as
almofadas estão fora de lugar significa que está perdendo um tempo precioso de curtir sua casa e quem a divide com você.


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Para finalizar, deixo este texto de autoria de Lena Gino. Recebi de uma amiga e traduz o que eu acredito ser um lar...

Casa arrumada é
assim...
Um lugar
organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de
novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando móveis, afofando
almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: “aqui tem vida!”
Casa com vida para mim, é aquela em que os livros saem da prateleira e os enfeites brincam de
trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo para a cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tiver arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de
aniversário, tudo junto.
Casa com vida é aquela que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora
do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma para ficar com a cara da gente.
Arrume sua casa todos os dias.
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Por favor, descontrole-se!

Por Anacris Maia

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura." Nietzsche

Controle-se! Siga as regras! Leia o manual! Não ligue primeiro para não demonstrar desespero! Transe só depois do vigésimo encontro para não ser vista como fácil! Transe logo de cara para se mostrar segura e descolada! Essas e tantas outras regrinhas são comuns em revistas femininas e livros do gênero que com a promessa de sucesso nas relações cativam (de aprisionar) a mente feminina.

Num tempo muito distante, ao ler essas dicas eu me sentia um verdadeiro fracasso porque eu faço exatamente TUDO o que NÃO se deve fazer numa relação. Ligo quando sinto vontade, falo o que sinto (entregar o jogo para o outro? Tsc, tsc, tsc... Pecado mortal, condenada ao inferno dos relacionamentos!) e faço o que eu quero. Minha natureza intensa, não consegue se submeter a tais regras.

Sou uma mulher sem manual, por isso, distante de ser ideal. Essas regras, aliás, são muito úteis para quem quer se manter no controle. Mantenha-se indiferente! Mantenha a calma! MANTENHA DISTÂNCIA, por favor! Afinal, quem suporta a convivência com alguém tão controlador assim? Tudo se torna certinho demais, chatinho demais, frio demais...

Mas, convenhamos se controlar tem lá suas vantagens: você não sofre, não se decepciona, delimita suas ações e como uma equação matemática não surpreende quando a regra é aplicada corretamente. Fico pensando se Romeu e Julieta, Abelardo e Heloísa, Tristão e Isolda, Elizabeth Bennet e Mr. Darcy viveriam o romance intenso e épico retratado em suas histórias com as regras de hoje. Afinal, todos esses casais, ficcionais ou não, superaram desavenças familiares, guerras de clãs, separações, orgulho e preconceito...

Nos relacionamentos modernos não há mais espaço para o espontâneo, o descontrole, o risco, a loucura...Tudo é meticulosamente estudado e avaliado. Casais buscam uma compatibilidade perfeita que vai desde gostarem do mesmo gênero musical até o mesmo nível social. Como se tivéssemos preguiça ou falta de tempo para aprender com as vivências e experiências diferentes que o outro nos traz. Estamos bem menos tolerantes.
E agora me pergunto: todos querem viver verdadeiras histórias de amor, mas, como isso é possível se estamos seguindo uma única cartilha? Amor virou um jogo de poder onde vence quem não se descontrola. Mostrar insegurança, fragilidade, vulnerabilidade? Nem pensar!
Até as histórias de amor se pasteurizaram. Todos querem ser únicos e diferentes fazendo tudo igual! O que nos torna apaixonados e apaixonantes são nossas peculiaridades, nosso jeito “fora-do-comum”. É aquele jeito de gargalhar gostoso onde todos mostram seriedade e reserva. É a forma leve e bem-humorada de encarar um sábado chuvoso quando se tinha planejado um piquinique. É fazer exatamente o contrário daquilo que as pessoas esperam que você faça. É surpreender!

A calmaria e o controle tem tornado nossa vida e nossas relações um tédio. A segurança inibe a dor, mas, impede que histórias incríveis desabrochem. As carapaças impermeabilizam e distanciam qualquer tentativa de intimidade. Não dá para exigir da paixão etiqueta, sensatez, domínio. E o que mais me surpreende em todas essas “receitas” é que na verdade elas tornam as relações contratuais, onde analisamos os riscos, pesamos prós e contras, nos ensinam a racionalizar a emoção.

Calamos, quando na verdade queremos berrar. Tudo isso para se manter na razão. Tudo isso para ter razão. Eu sei que eu não deveria ligar quando acabei de discutir e o pior, quando eu sei que tenho razão sobre a discussão - e também quando eu não tenho razão nenhuma. Mas, mesmo assim eu ligo! Às vezes, acho meio humilhante, mas, aí me pergunto: me controlar e não ligar, vai me fazer feliz? Quantas vezes vejo pessoas perdendo tempo e se matando por dentro só para não darem o braço a torcer! Alguns vão ler isso e me taxarão de fraca, carente, “boazinha” (esse é o pior!), mas, a verdade é que entre ter razão, controle e orgulho eu escolho sentir, eu escolho ser feliz.

Vale ler: O Elogio da Loucura – Erasmo de Roterdã. Se você usar somente a razão você não casa, não tem filhos, não curte cada fase da sua vida, não se ilude, nem tem esperança ou se apaixona... É nossa dose de loucura que nos ajuda a suportar a existência.

Vale ver/ler: Razão e Sensibilidade. Esse romance da escritora inglesa Jane Austen mostra o contraste entre as duas irmãs Elinor (mais racional) e Marianne (passional e emotiva) que divididas entre obrigações sociais e seus sentimentos buscam o equilíbrio para alcançarem à felicidade.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os relacionamentos e os hábitos

Por Anacris Maia

Normalmente somos quase unânimes em condenar a rotina, culpada pelo amornamento das relações. Todos os dias as mesmas coisas, finais de semana freqüentando os mesmos lugares, o cinema de praxe e até mesmo as mesmas posições na hora do amor.

Foi pensando nisso, que cheguei a conclusão de que não é a repetição das mesmas coisas que amornam as relações, afinal, se vamos ao mesmo restaurante é porque gostamos da comida, sentimos prazer em assistir um filme no escurinho do cinema, sujeito a beijinhos e pipoca e o fato de não testar as posições do kama sutra, pode apenas significar que descobrimos o nosso jeito de amar e que ele é gostoso.

Acredito que o que provoca o fim das relações são nossos hábitos, não nossa rotina. A maioria de nós sabe que dias extraordinários, são de fato extras, no meio da existência ordinária. Já os hábitos, confundem, camuflam, escondem nosso modo piloto automático, até que um dia, nem sentimos mais e não sentimos que chegamos nessa situação.

Eis que aí, surge o tédio que nada mais é que a falta de sentido, falta de sentir... Mantemos um compromisso, sabe-se lá com quem, menos com a gente mesmo. Vamos ao cinema as quintas, porque estamos habituados, mas, nem percebemos que os beijinhos no meio da sessão não aparecem mais. E de repente, ir ao cinema perde a graça.

Não sabemos mais se ligamos para o outro no fim do dia por saudade ou hábito ou o que é pior, obrigação. Seria necessidade? A voz do outro lado já não causa o frio na barriga inicial, típico das paixões, mas, também não causa a alegria aconchegante do se sentir amada. Não é a rotina que perdeu a graça, nós é que perdemos o sentir.

Continuamos fazendo as mesmas coisas que antes nos tornavam felizes, mas, o riso já não vem tão fácil, nem a companhia tão instigante. Continuamos pelo hábito de continuarmos juntos e com isso, nos habituamos a aceitar bem menos do que merecemos. E por medo de perder nosso hábito caímos na tentação de recorrer a receitas prontas das teorias de psicanálise para nos reerguer do desgaste. E o pior, nos habituamos a não sentir e achamos isso comum.

Não acredito nessa tal serenidade a qual rotulam amor. Talvez, estejamos confundindo amor, com tédio, falta de entusiamo, obrigação, necessidade... Talvez, eu não saiba o que é o amor, mas, me incomoda o não sentir e ainda que eu não saiba o que é amor, sei que quando o sinto, ele me faz sentir alguma coisa.

Aberto
(Zélia Duncan)

Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos outros,
Apesar dos medos,
Apesar dos monstros nos meus pesadelos

Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos trincos,
Apesar dos trancos,
Apesar dos dias repetidos que são tantos.

Eu vou tentar manter o coração aberto pra vc.
Apesar da chuva,
Apesar da rua,
Apesar da hora,
Apesar dos pesares, das canções, dos lugares,
Apesar dos meus pensamentos, dos perigos, dos próximos momentos.

Eu de coração aberto pra você,
de coração aberto pra você.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Em 2011, chega de gente idiota!

Por Anacris Maia
Eu sei que já passamos do dia 01, mas, como ainda nem estamos no quinto dia do ano, ainda posso imprimir aqui minha promessa de ano novo. Na verdade ela é aparentemente simples: não é iniciar um curso, andar mais de bicicleta ou casar. Minha promessa para esse 2011 é não dar atenção a PESSOAS IDIOTAS. Isso mesmo!!!

Chega! Existe um monte de gente idiota por aí que não pensa no que fala ou que é maldosa mesmo, mas, seja por ignorância ou falta de caráter, ainda assim continua sendo IDIOTA.

E vocês devem estar se perguntando: mas, se é idiota, porque diabos Anacris, você dá ouvido para o que elas falam? Porque eu também sou idiota. Afinal de contas, ficar remoendo bosta que ouviu de um (a) Zé Ninguém que interfere em nada na minha vida é ou não é coisa de idiota?

Pensando nisso, minha promessa desse ano é deixar de ser idiota e dar muito valor para quem não merece nenhum. Este ano vou ouvir apenas quem fala alguma coisa que me eleve, me torne um ser humano melhor, uma profissional melhor. Gente imbecil que se esconde sob o disfarce da eficiência não merece crédito, mas sim, pena, já que no fundo é tão insegura e incompetente que se sente bem chateando os outros.

Minha promessa é filtrar o que presta e descartar o que não presta. Manter o foco nos meus objetivos e a autocrítica afinada, reconhecendo meu valor e meus limites. Este ano, quero passar mais leve, mais zen, rindo mais de mim mesma e sendo verdadeiramente indiferente com quem não merece apreço algum.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Por enquanto, tchau

Por Anacris Maia

Quando foi que a gente deixou de se ouvir? Qual foi o momento que gerou mágoa ou decepção a ponto de se cristalizar, tornando insignificante qualquer fala do outro? Quando foi que a gente deixou de se ouvir, quando foi?

Você diz que não suporta minhas cobranças e eu não suporto sua indiferença. Situações insuportáveis que tornaram a nossa relação insuportável e a gente não soube superar, ou não quis superar. A minha reação, causava a sua reação, que causava a minha reação, como num círculo vicioso e tóxico.

Um de nós deveria ceder. Mas, como ceder quando a gente já está vendo no que isso vai dar? Como ceder, quando a gente já não sabe mais se as coisas que sonhamos juntos queremos continuar sonhando? Como ceder diante de tanto cansaço, tanto desgosto, é mais simples ficar olhando tudo se esvair e caminhar até o fim inevitável.

A paixão e os sonhos estão no passado. Saudades de quando éramos felizes. A gente se divide entre o que é preciso fazer e o medo da dor e da solidão. Eu queria que fosse diferente, e acredito que seria diferente, mas, orgulho e teimosia não são bons conselheiros embora sejam os mais convincentes.

Além de surdos um para o outro, não nos vemos. Eu ignoro o mal que te causo e você e mal que me causa, aliás, justificamos nossas ações, mas, justificar não significa buscar solução, significa apenas mais uma forma de desculpa, de não querer dar o braço a torcer. Somos cegos para nossas ações e situações.

Quero ficar, mas, não sei se você quer segurar minha mão. Eu sinto sua dúvida, seu medo. Eu também tenho dúvidas. Na verdade, nunca soube se fui seu grande amor ou só um estepe e você nunca soube lidar com isso.

Nossa cegueira e surdez nos separaram. Passamos um tempo da nossa vida tentando impor um para o outro nosso ponto de vista, nosso jeito de levar a relação. Nas nossas conversas, prometíamos mudanças que nunca aconteceram. Eu queria de um jeito, você queria do seu.

Na verdade a gente queria que desse certo, mas, certo para quem? Se todos os acordos, planos e promessas nunca passaram disso, palavras vazias, sem nenhuma ação. A gente está exatamente onde queria estar, porque não movemos esforço algum para estar diferente.

Já sinto saudade, saudade do que éramos e do que poderíamos ter sido. Saudades de todas as oportunidades perdidas que poderiam ter nos tornado melhor. Saudades de quando eu sonhava com a gente. Hoje a realidade cai pesada, rompendo com possibilidades. Se eu te amo? Muito. Se faria diferente? Certamente. Mas, nem todas as relações acabam por falta de amor e segundas chances estão mais raras. Já estou sentindo muita saudade.

Dessa Vez

Composição: Nando Reis

É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer

É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem

Foi bom se apaixonar, foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais
dessa vez..
Foi tão bom e porque será
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar mas eu só posso te dizer
Por enquanto, que nessa linda estória os diabos são anjos

É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei eu te amo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O tédio nosso (meu) de cada dia

Postado em 09.04.2009

Por Anacris Maia

É quinta-feira à noite e estou escutando James Blunt, KT Tunstall e outras coisas do gênero. Até antes de começar a escrever estava deitada na minha cama olhando para o teto. Às vezes cantava um refrão, outras vezes ficava pensando no que eu gostaria de fazer nessa noite quente e agradável. Quem sabe um cinema? Não sei o que está passando, mas, também não me importo. Um barzinho? Tomar cerveja e ficar falando besteira e rindo à toa? Proposta tentadora! Até balada está valendo, qualquer coisa para ouvir música alta, gritar/cantar para exorcizar dias ruins. Ok, sei que estamos na Semana Santa e provavelmente nenhuma boate vai cometer o sacrilégio de abrir, mas, a verdade é que eu não me importaria de estar numa.

Continuando a minha lista, talvez um jantarzinho gostoso num lugar romântico onde pudesse trocar carinhos...(suspiro). Qualquer uma dessas opções me deixaria bem mais alegre e animada do que estou agora. Sem vida social, resta-me apenas música e livros. A sedução e as intrigas de As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos consegue me tirar um pouco da mesmice. Quando quero dar um pouco de risada, leio Dewey, um gato entre livros, de Vicki Myron. Enjoada dos livros vou ver se tem alguma matéria interessante na Galileu do mês e em última instância vou ler os pensadores românticos para a prova de semana que vem.

Como podem ver, minha vida é interessante (estou sendo irônica, por favor!). São tantas aventuras na ficção e tão poucas na vida real. O bom e velho bigode Friedrich Nietzsche já falava sobre a importância de experimentar mais a vida ao invés de só lê-la pelos livros – sejam de literatura ou filosofia.

Eu adoro escrever para o Produção, mas – perdoem-me os leitores fiéis – se hoje o faço é por pura falta de opção. Preferiria muito mais estar fazendo algo que rendesse histórias mais interessantes, porém, sem material empírico, só me resta compartilhar do meu tédio com vocês.
Bem que a vida pelo menos uma vez ou outra podia ser como nos filmes, onde no momento exato o telefone toca ou se é surpreendida com alguém interessante quando se está totalmente sem esperança de que algo aconteça. A gente sabe que não é. Por exemplo agora, por mais que eu faça um exercício telepático e tente entrar na mente do meu namorado para que ele se convença de que está com saudades e se anime a vir me ver, isso não acontece. Meu celular não dá nem sinal de vida.

Vocês podem estar se perguntando: “por que você não liga para ele?”. Não ligo porque quero evitar o desgaste de escutar que ele não vem, que está cansado, que não quer pegar a Dutra em véspera de feriado etc, etc. Pelo menos escrever para o Produção me distrai e impede que eu faça besteiras.Em suma, os próximos dias não serão muito diferentes. Não tenho nada programado no meu roteiro de vida real. Quem sabe, assim como nos filmes, alguma coisa inesperada aconteça nesses dias e na segunda-feira (ou até antes disso), eu venha postar alguma novidade, dessa vez algo mais empolgante, entusiasmado. Minha razão me faz acreditar que nada vai acontecer, porém, não consigo abandonar a fé dentro de mim de que alguma coisa poderá acontecer amanhã ou depois ou depois... Eu vou torcer!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Relacionamento é feito de paixão e algo mais

Publicado em 25.06.2009
Por: Anacris Maia

Não tem coisa que produza mais material para o blog do que conversa no boteco com amigos – homens e mulheres. A perspectiva que ambos os sexos têm em relação a paixão não é apenas diferentes, mas, também engraçada. Se de um lado as mulheres querem um homem apaixonado, educado, um “amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores” e abre a porta do carro, os homens por outro lado acham isso uma chatice sem tamanho que nada tem a ver com estar apaixonado.

Diante disso vivo me perguntando se a idéia que tenho de paixão – e que a maioria das mulheres têm – foi construída e sentida por nós mesmas ou idealizada pela avalanche de comédias românticas que pelo menos a maioria de nós simplesmente adora. É quase impossível não dar um suspiro diante de uma frase dita na hora e momento certo. Ou depois de uma discussão ver o mocinho ir até o encontro da mocinha todo arrependido e dizendo que a ama. Atire a primeira pedra, que mulher não se derrete – e chora – vendo essas comédias deliciosas?

E é comum nós mulheres, nos sentirmos frustradas em nossas relações por não conseguirmos mais ter o clima apaixonado e de conquista depois de algum tempo de namoro. Seguido disso, vem o ceticismo: “homem apaixonado não existe”, “homem só é romântico em início de namoro, quando está nos conquistando”. Será que me pleno século XXI ainda não deixamos nossas heranças ancestrais e continuamos sendo presas a ser caçadas pelos homens?

O que posso afirmar é que a insatisfação é generalizada. Até que um amigo se levanta a favor dos homens e pronuncia a sentença fatal: “Garanto que vocês iriam nos julgar pegajosos se fizéssemos isso durante dois meses”. E no fundo ele tem um pouco de razão, afinal, tudo que é demais sufoca, irrita... Ligar 24 horas por dia deixa de ser saudade e passa a ser vigilância. Lotar sua caixa de e-mail e te cobrar para respondê-los é pensar que a gente não tem nada o que fazer durante o dia – e cá entre nós, parece que ele também não. Flores também são bem-vindas, desde que na medida certa, afinal, chega uma hora que acabam-se os vasos e só nos resta colocar uma plaquinha na frente de casa anunciando “Floricultura Relâmpago”. Enfim, quando se trata de mulher é comum o homem pecar por falta ou excesso.

E o problema é esse mesmo, homem não conhece a justa medida. Ou sufoca ou deixa correr solto. É óbvio que não queremos ser asfixiadas com tanta doçura, mas, também não precisa nos tratar como lugar comum ou em linguagem mais primitiva, como caça abatida. Reconhecemos que depois de um tempo os agrados diminuem – DIMINUEM, não DESAPARECEM – o que pelo menos para nós mulheres acaba dando uma “mornada” na relação.

Mas, não é por mal. Mulher gosta de encantamento e de ser bem tratada. Mulher gosta de receber um telefonema fofo no final da noite, depois de um dia atribulado e também de ter uma palavra amiga quando a coisa não está fácil. Mulher não gosta de ver tratada suas limitações e inseguranças como chatice ou loucura. Mulher gosta de se sentir especial e amada, independente das flores, torpedos, fogos de artifícios e declarações apaixonadas.

Somos difíceis de agradar, no entanto, gestos simples nos conquistam. Particularmente vejo que os homens não sabem mais como lidar conosco. Estão divididos: de um lado, querem puxar a cadeira para que sentemos, mas, de outro se sentem acuados só de pensar num possível “eu consigo puxar uma cadeira sozinha”, das mulheres mais “bem-resolvidas”.

É claro que uma relação é feita de detalhes bem mais importantes que cordialidades e etiquetas. O que ameaça uma relação e isso vale tanto para homens quanto para nós mulheres, é que nossa capacidade de manter interesse e enxergar o outro como alguém especial e único tem se tornado cada vez mais difícil. Descartamos celular antigo, computador obsoleto, sapatos do ano passado, em suma, perdemos cada vez mais o olhar de novidade que o outro exerceu – e que exercemos sobre o outro – durante um tempo.

Por isso, o namoro, casamento, rolo ou qualquer outro tico-tico no fubá se desgasta. A gente enjoa fácil, se empolga fácil, enfim, tudo é muito fácil... Com tantas novidades de acesso rápido e ao alcance das mãos fica difícil manter-se o que é antigo. Manter o “olhar de primeira vista” torna-se um desafio e também um exercício constante de resgatar diariamente a lembrança daquele sorriso que te conquistou, daquele ombro que te amparou na hora do choro, das piadas ditas depois de algumas garrafas de vinho e dos micos que renderam boas risadas.

Se por um lado, relacionamentos novos são recheados de surpresa, são as histórias de um relacionamento antigo que mantém duas pessoas unidas. Tornar objetos descartáveis é uma coisa, tornar pessoas descartáveis é sinal dos tempos. Sinal que estamos confundindo as coisas e que nossa vontade de ser feliz pode ser apenas um poço sem fundo onde nada satisfaz e tudo é efêmero. Como disse no início, achar a justa medida é fundamental, assim como a paixão, para não jogarmos fora o que já levou um tempo para ser conquistado e construído.

Quem assistiu "O Melhor Amigo da Noiva", sabe que uma relação é feita de amizade, afinidade, descoberta, um Patrick Dempsey...