quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Amo muito tudo isso!!!


Postado em: 08.06.2006




Por: Anacris Maia


Escrevo esse texto em estado de euforia. Depois de quatro anos, que eu não passei contando e que na verdade nem senti passar, finalmente chegou a Copa do Mundo, o maior campeonato de futebol do planeta. E eu sou simplesmente apaixonada por esse esporte. Eu tenho o meu time do coração “Salve meu Tricolor Paulista, amado clube brasileiro”, assisto todos os jogos como se estivesse no fervor de uma final, com a mesma empolgação, o mesmo sofrimento... Eu simplesmente pertenço ao time das mulheres que amam futebol!


E não sou daquelas que não entende nada, não. Dessas que só assistem os jogos para ficar olhando para as pernas dos jogadores. Tudo bem, diga-se de passagem, é um estímulo para acompanhar os jogos, mas não, eu olho, mas não só para isso.


Eu olho para as falhas do juiz, principalmente para aquelas que favorecem o time adversário. E eu xingo também, acha que vou deixar barato? Só não xingo quando o erro que ele cometeu favoreceu meu time, mesmo meu time estando errado. Me desculpem, não vou ser hipócrita de dizer que sou imparcial, não sou mesmo. Paixão foge a lógica, portanto, sinto muito. Está errado? Chame a mãe...


Lembro até hoje de um jogo que fui assistir num boteco. Desconheço outra forma mais divertida de assistir jogos do que com amigos num boteco. Todas as vezes que fiz isso, fiz mais amigos, inclusive de times adversários, aliás, essa é outra coisa que adoro no futebol, mas, falo sobre isso mais para frente. Vamos ao duelo. Na verdade não foi um duelo, eu simplesmente vi meu amado São Paulo massacrar o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro num inesquecível 5 X 1. Puxa vida, digam o que quiser, foi lindo ver a gambazada toda triste e decepcionada vendo seu time caindo e mais uma cabeça de técnico rolando...


Outra vantagem de se assistir jogos em boteco, é a boa oportunidade para se paquerar. Eu neste dia estava de paquera com um corintiano. Eu sei, a carne é fraca, dentre tantos tricolores fui encasquetar justo com o corintiano, mas, é a vida... Uma troca de olhares ali, uma risadinha aqui, um sarrinho mais adiante... O flerte foi bom, mas não foi pra frente, mesmo assim todas as vezes que nos encontramos na rua, sorrimos um para o outro e nos cumprimentamos... A vida é boa.


Não estou aqui para falar do meu time (se bem que ele só me dá alegrias e poderia escrever um texto todinho sobre o São Paulo), mas, não poderia deixar de contar outra breve história de duas finais que me fizeram ficar em concentração por no mínimo uma semana. A Libertadores da América e o Mundial de 2005. Graças ao bom Deus e uma equipe bem preparada e cheia de garra, faturamos ambos. Mas, o ápice nesta história não são as vitórias. Foram as unhas roídas, o silêncio assustador diante de um lance perigoso, a angústia do grito de alegria sufocado na garganta enquanto aguarda finalmente o GOOOOL e os olhos suplicantes diante da TV exigindo que os malditos 45 minutos do segundo tempo acabassem logo.


“Ergueu o braço, fim de jogo”, abençoada seja essa frase! Que venha agora a comemoração, a libertação dos gritos e do choro emocionado, a farra com os amigos na rua e... A dor muscular por tanta tensão. Inacreditável? Impossível? Exagero? Digam o que quiser, mas, meu corpo ficou como se tivesse feito mais de seis horas de musculação. E já adianto, sou sedentária e detesto academia. Dá pra imaginar a dor?


Mas, eu adoro tudo isso! Adoro esse clima de amizade entre torcedores adversários – torcedores mesmo, gente que gosta de futebol e não um bando de fanáticos oportunistas que só causam algazarra e destruição – gosto dessa reunião de amigos que o futebol proporciona. A gente pode estar morto de cansado numa quarta-feira estressante, mas, basta um telefonema, um convite para que eu já tome aquele banho revitalizante, vista a camisa do meu time e vá torcer bem feliz.


Gosto da alegria contagiante do futebol, do clima de união. E que não venham me criticar os indignados de plantão dizendo que o Brasil pára durante a Copa do Mundo, que os casos de corrupção são abafados pela mídia ou que o futebol faz de todo mundo massa de manobra. Dane-se tudo isso. Durante quatro anos eu vejo, leio e escuto a mídia divulgando casos de corrupção que continuam impunes. Um mês a mais, um mês a menos não vai interferir em nada.


E eu entro no clima mesmo, não me contenho em nada, paro de pensar, me alieno... Compro camiseta, corneta, chapéu, buzina, bandeira, enfim, o kit copa que garante festa e alegria. Já sei onde vou assistir a final mesmo não sabendo se o Brasil vai passar da segunda fase (MAS, ELE VAI PASSAR!!!).


Me levanto diante da TV, coloco a mão direita do lado esquerdo do peito e canto como se estivesse no estádio, como se me fizesse ouvir diante da multidão o Hino Nacional. Respeito todas as superstições, fico atenta aos mínimos detalhes. Se por exemplo eu não estiver com o mesmo tênis que eu acompanhei todas as partidas e por um acaso o Brasil perder, pronto, já é suficiente para eu me culpar pela derrota.


E se ele perder num momento decisivo... Aí vem o choro, choro sentido, cheio de pesar. Choro de quem vai ter que esperar mais quatro anos para gritar: “É HEXAAAAA! É HEXAAAAACAMPEÃO!!!


Isso me lembrou a Copa de 86, eu tinha apenas seis anos mas lembro da derrota do Brasil para França que o colocou fora do Campeonato nas quartas de final. Desanimada e em silêncio, saí da sala e fui tomar banho. Quando minha mãe entrou no banheiro perguntou:


- O que que tá acontecendo?
- Tô chorando porque o Brasil perdeu, mãe.


Hoje dou risada, mas a resposta foi simples, inocente e carregada de sinceridade. E esse é o bem que o futebol me faz. A cada partida ele me coloca frente a frente à alegria extasiante, a raiva passageira, a emoção insana e me ensina a lidar com a derrota muitas vezes inevitável. Não só a mim como qualquer torcedor.


Quem não se lembra do choro indignado do corintiano declarando “isso não se faz, isso é timão” naquele mesmo jogo que terminou no 5 X 1? Garanto que aquele cara deve ser o maior machão no dia-a-dia, mas ali ele se permitiu chorar e o que é pior (e talvez, mais engraçado), diante de um país inteiro. Ele deve ter se arrependido ao ver as cenas, mas, naquele momento ele foi ele mesmo, nem pensou nos outros.


O mesmo acontece comigo. Por mais que a Anacris racional ao relembrar todas essas loucuras ache isso tudo um tanto quanto ridículo, ela também sabe que naqueles 90 minutos de jogo ela deixou tudo aflorar e foi sincera com ela mesma. Acho que é por isso que tem tanta gente apaixonada pelo futebol. Esse é um esporte que permite que a gente se exponha, chegue ao extremo ridículo sem se arrepender depois. Que Deus abençoe os ingleses...

Um comentário:

Anônimo disse...

[José Alvo]
Concordo com vc, quando se refere as omissões políticas dessa época, elas são apenas desculpas para um quadro já pintado ao longo dos anos e que não pode ser resolvido agora. Agora não é hora de dividirmos um país, uma nação... estejamos todos juntos, embuidos num espírito de HEXA, pois ao menos essa alegria pode vir a se tornar realidade... estarei aqui, todos os jogos, com minhas supertições!!!
14/06/2006 23:52