segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Não tenho tempo a perder


Postado em 20.05.2006


Por Anacris Maia




Ficar ou não ficar? Eis a questão. Quando eu fico, num primeiro momento é ótimo. Me sinto “amada”, “protegida”, “querida” até que a banda pare de tocar, as pessoas esvaziem o local e eu volte para casa. Sozinha. E quando eu chego em casa, deito no meu travesseiro e penso: “É, mais uma noite sozinha”.




A bem da verdade, eu nunca fui fã de ficar. Inclusive, nunca fiquei com ninguém que vi assim, pela primeira vez, numa balada qualquer. Sempre é um amigo, colega ou alguém com quem eu já sai algumas vezes. Sou uma mulher à moda antiga. (que me perdoem as feministas e os homens mais modernos).




E sempre que eu fico, nunca penso que será a última vez. Gosto de acreditar na possibilidade, num futuro. Claro que nem sempre isso acontece. Escrevo isso, porque quero justificar o por quê eu fico, mesmo não gostando da prática. Por mim, já começaria namorando e a partir disso veria se dá certo ou não.




Afinal, qual a diferença entre dizer: “não dá mais pra gente ficar” de “não dá mais para a gente namorar?” Ambos significam fim, com uma diferença, porém: quando ficamos temos a sensação do não-compromisso mútuo. Daquela regrinha do “eu sou de todo mundo e não sou de ninguém”.




Cada vez mais as pessoas gostam dessa irresponsabilidade coletiva com os sentimentos alheios. No ficar, não há preocupação em fazer dar certo e por isso quando termina temos a impressão de que está tudo bem.




Mas, isso é só impressão.“A gente só estava ficando”, justificamos, demonstrando externamente o mínimo de dor. Mas, por dentro a gente reconhece a frustração e a perda da fé nos relacionamentos que uma ficada naufragada aqui e outra ali gera. Por trás de pessoas que contabilizam suas ficadas nas noites da vida, priorizando quantidade ou alegria passageira, percebo também a necessidade de afeto. Mas, há pessoas que por medo, não assumem. Infelizmente, alguns preferem mentir para si mesmos.




Já um namoro, ainda que termine nos primeiros meses, mostra maturidade de ambos os lados. Namoro implica confiança, querer estar junto, significa não querer mais ser de todo mundo e sim só daquela pessoa, em suma, significa querer fazer dar certo. Quando estou apaixonada não ligo de passar meus finais de semana em casa ou não reclamo de chegar em um lugar que está vazio. Não preciso mais de multidão, já encontrei quem buscava.




Por isso que o fim de um namoro, ainda que passageiro, gera dor. Mas, é uma dor diferente da dor de quando paramos de ficar com alguém. A dor do fim de um namoro é uma dor com começo, meio e fim. É a dor de um relacionamento que se viveu em intensidade, uma dor de quem buscava um final feliz. Não deu, tudo bem, mas o amor foi esgotado, foi vivido.




A dor do não ficar mais, é a dor da frustração, da dúvida, da incerteza, da pergunta que você terá que conviver sem a resposta até o fim dos seus dias: “E se tivéssemos tentado, como seria?”. Os que negam isso, sugiro que façam o teste do travesseiro que citei no primeiro parágrafo.




Por isso que ultimamente tenho buscado me tratar com mais sinceridade. Não quero mais perder tempo com relacionamentos que só intoxicam a vida e a alma. Relacionamentos de mão única onde só um dá e não recebe nada em troca. Aliás, amor é troca. Troca de olhar, de cumplicidade, de afeto, de carinho, de tesão...Hoje, eu “só quero saber do que pode dar certo”.




Quero sofrer por coisas reais, sofrer porque amei e fui amada e se acabou era porque tinha que acabar. Quero sofrer porque caí de cabeça e não porque fiquei pisando em ovos. Quero sofrer porque gastei todas as minhas fichas. Isso é sofrer por algo real.




Não quero mais sofrer a ilusão do ficar, da possibilidade. A ilusão do calor da situação que supre minhas necessidades apenas por alguns momentos. Um sofrimento por algo que nunca existiu. Quero vida. E vida em intensidade, onde dor e amor andam juntos e não precisam ser camuflados por alegrias passageiras.

Um comentário:

Anônimo disse...

[Maria Antônia]
Sinto o msm q vc!! "o ficar" é muito vago e não implica nenhuma responsabilidd (pra ninguém) talvez até seja por isso q as pessoas adoram essa prática: "ficar"! "Ficar" é o msm q "estar" - um estado! e não uma realidd, ex: eu estou triste (na realidd é um momento) e dessa maneira, pode ser q seja diferente noutra ocasião... Sei lá... as vezes penso no q fazemos as nossas vidas... dos remédios q tomamos (seja pra dormir, pra depressão, pruma dor de cabeça), das decisões, dos prejtos q não temos, dos amigos q nada somam nas mossas vidas e dos relacionamento q tb nada contribuem pra nosso crescimento... nesse caso, é muito melhor ficar... ficar é estar... é momento! e acaba! e depois disso... continua a caça ao tesouro... se é q ele existe nessa esfera!!!!

21/05/2006 12:44