sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A gente se ama!

[Inédito]

Por: Anacris Maia

Pode ser meio idiota, mas, numa noite dessas, rolando na cama fui surpreendida por um sentimento que me comoveu e me fez sorrir ao mesmo tempo. Foi uma experiência louca, senti paz, bem-estar. Sabe aquela coisa boa que se sente quando se percebe que é feliz ou descobre um motivo para ser? Então, foi isso que senti quando esse sentimento me dominou.


Já estamos juntos há tanto tempo e eu te conheço um pouquinho, mas, até então nunca tinha olhado para nós dois como olhei naquela noite. Um cara comum que conhece uma garota comum, que se tornam especiais um para o outro e decidem naturalmente dividir a vida. Desconheço os motivos que o levaram a iniciar uma relação comigo, mas, conheço os motivos que fizeram você permanecer ao meu lado.


Tenho o amor dos pais, mas, é um amor acidental e regido por um código genético-ético-moral. É quase um tabu discutir esse amor incondicional dos pais. Já os amigos nos toleram, mas, tem liberdade para se afastar assim que sentirem qualquer desconforto. Agora você me escolheu no meio da multidão se utilizando de critérios que eu ignoro e continua comigo, mesmo conhecendo defeitos, fraquezas, chatices. Mas, conhecendo também minha parte boa, minha risada, meu olhar, meu sentir, meu pensar. Você não fugiu porque sentiu desconforto e não me deixou correr quando conheci seu lado B.

Eu gostei da sensação de saber que além dos meus pais e de uns poucos amigos eu tenho alguém que sem obrigação alguma, nem determinismo ou acidente, simplesmente gostou de mim e está comigo até hoje. Não há nenhum laço que nos prenda, mas, ainda assim nos mantemos unidos sem intenção alguma de nos afastar.

A gente conhece bem o ditado, mas, nunca imagina que amar e ser amado é algo tão mágico, fantástico, transcendente mesmo. As regras do amor são ilógicas, tolerantes, afetuosas, cheias de perdão. Durante muito tempo fiquei procurando uma forma de me sentir única, cega na minha expectativa nem me dei conta que durante todo o tempo em que estamos juntos você me via assim. Juntos, demos cor a nossa vidinha sem-graça.

Você me fala de rock, blues e jazz. Me mostra as grandes bandas, os melhores músicos e cantores. Eu falo de filosofia e literatura, em especial poesia. Lembra do nosso primeiro encontro acompanhado de Fernando Pessoa? Você me faz rir das minhas chatices quando em tempos de solidão eu reclamaria. Consegue me mostrar que o problema nem é tão grave assim, é só tempestade da minha parte. Mas, também é meu companheiro quando a coisa fica mais séria.

Pela primeira vez, a insônia me trouxe bem-estar e não inquietação. Percebi algo que a rotina massacrante e os dias corridos não conseguiram sufocar. Quando pensamos que o sentimento segue seu curso tranqüilo e seguro, vem um sentimento desconhecido, que nos surpreende e é justamente essa capacidade de nos renovar nos detalhes o que nos mantém juntos.


As coisas tão mais lindas
Nando Reis

Entre as coisas mais lindas que eu conheci

Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela e então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar


Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar


E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas


Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma prece para si mesmo

Postado em: 24.12.2007

Por: Anacris Maia

Todo mundo faz listas e promessas quando chega o Ano Novo. Elas variam desde começar uma dieta e se estendem a mudar de emprego, de vida, de amor... Bom, eu fiz uma prece a mim mesma porque acho primordial ter fé em si mesmo para se conquistar o que quer. Também pela primeira vez estou assinando meu nome nesse blog e não o pseudônimo (Maria Clara) não quero mais me esconder por meio dele. Chega de conversa... Lá vão meus pedidos para 2008... Que você que lê esse texto também conquiste tudo o que planejou em uma noite e que seu balanço de 2007 tenha saldo positivo.

Em 2008 quero fazer uma prece a mim mesma. Quero compreender, mas, se não for compreendida, que eu não sofra, apenas aceite que o problema não é meu e sim da miopia generalizada que distorce a visão dos homens.

Que antes de respeitar os outros eu respeite a mim mesma. E que eu esteja preparada para a solidão. É uma pena, mas, as pessoas não estão acostumadas com autenticidade e transparência, mas, prefiro o risco de uma vida solitária à amigos subordinados.

Que eu continue intolerante com injustiças, regras absurdas e que eu não confunda educação com domesticação.

Que eu continue perseverante com meus sonhos, certa do caminho que quero seguir e sem medo do que os outros pensam sobre mim. Todos nós temos um único objetivo, felicidade, apenas alguns a conseguem, porque felicidade é para corajosos e dá trabalho. Num mundo que venera a facilidade é comum desviar o caminho e se auto-enganar...

Que eu continue curiosa e descrente de respostas prontas. Que o conhecimento me liberte e não crie outras formas de prisões disfarçadas.

Que eu dê ouvidos e realmente me importe com aqueles que fazem a diferença em minha vida.
Que eu seja melhor por eles e não adaptável para ser aceita por gente que simplesmente me acrescenta nada. Isso seria perda de energia e o que é pior, me perderia de mim mesma.

E por fim que eu continue amando e sendo amada. Que a compaixão seja prática constante e que à vontade de mudança transforme-se em ação.
Que venha 2008!!!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Amor novo


Postado em: 20.11.2007


Por: Anacris Maia


Desconheço (ou não me lembro agora!) de sensação mais fantástica que a de um amor novo. É fresco, com vontade de descoberta, ar de novidade. Amor novo tem declarações apaixonadas, ditas em momentos inesquecíveis que são esquecidas na semana seguinte. Mas, o que mais me encanta nisso tudo, é que amor novo vem cheio de boa vontade. E como é raro isso hoje em dia, boa vontade sincera e honesta.


Amor novo tem vontade de fazer dar certo, de dar descanso ao coração, às vezes, cansado de solidão. Ou aplacar a eterna busca, acreditando fielmente que finalmente ele (o coração) terá o merecido sossego por ter vagado por tantos cantos e por tanto tempo ter acreditado e aceitado uma paz passageira ou um amor pela metade.


É a boa vontade no início do amor que fará dar certo ou não. É a boa vontade que irá garantir que o amor seja esgotado, vivido, para que quando chegar o fim – aprendi a aceitar a impermanência das coisas – não se saia com dúvidas de que poderia ter feito mais, com questões do tipo “poderia ter sido diferente?”. Amor esgotado com boa vontade não carrega dúvidas, apenas lembranças.

Mas, amor novo tem também seu lado denso. Ele tem lá seus obstáculos. Inseguranças a serem superadas, angústias aliviadas, perguntas que clamam por respostas, ansiedades incontroláveis... Amor novo é bom, mas, não é fácil. Ele não carrega o fardo da certeza das relações seguras, mas, convive com o frescor do incerto de num dia acreditar no “pra sempre” e no outro receber o “adeus”. E isso não tem nada a ver com amor eterno. Já faz muito tempo que deixei de acreditar nele. Troquei a eternidade pelo amor-vínculo.

Por isso acho boa vontade determinante. É com ela que se apara arestas. É ela que oferece o olhar de compreensão e não de acusação ou julgamento. É ela que ajuda a não desistir no meio do caminho porque um gosta de heavy metal e o outro de axé, pelo contrário, há soma, até porque nunca fui favorável a amar uma cópia de si mesmo (onde estaria a novidade inicial?), ela faz com que a gente se de uma chance. E é nesse compartilhar, que eu crio o vínculo, que eu passo a respeitar o outro com seus limites, anseios, desejos...

Os caminhos do amor são tortuosos e eu confesso que já pensei em sair deles muitas vezes, simplesmente por não conseguir controlá-los. Minha solidão é minha. Já o meu amor é do outro e está nas mãos desse outro aceitar ou recusar e ainda que eu corra o risco da dor, eu agradeço por até hoje ter tido boa vontade e fé e ter me arriscado. Se já sai arranhada? Diria que todas às vezes. Mas, ainda assim não troco o frescor do novo, o desgaste do fim e a esperança de novidade novamente...