segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Amor novo


Postado em: 20.11.2007


Por: Anacris Maia


Desconheço (ou não me lembro agora!) de sensação mais fantástica que a de um amor novo. É fresco, com vontade de descoberta, ar de novidade. Amor novo tem declarações apaixonadas, ditas em momentos inesquecíveis que são esquecidas na semana seguinte. Mas, o que mais me encanta nisso tudo, é que amor novo vem cheio de boa vontade. E como é raro isso hoje em dia, boa vontade sincera e honesta.


Amor novo tem vontade de fazer dar certo, de dar descanso ao coração, às vezes, cansado de solidão. Ou aplacar a eterna busca, acreditando fielmente que finalmente ele (o coração) terá o merecido sossego por ter vagado por tantos cantos e por tanto tempo ter acreditado e aceitado uma paz passageira ou um amor pela metade.


É a boa vontade no início do amor que fará dar certo ou não. É a boa vontade que irá garantir que o amor seja esgotado, vivido, para que quando chegar o fim – aprendi a aceitar a impermanência das coisas – não se saia com dúvidas de que poderia ter feito mais, com questões do tipo “poderia ter sido diferente?”. Amor esgotado com boa vontade não carrega dúvidas, apenas lembranças.

Mas, amor novo tem também seu lado denso. Ele tem lá seus obstáculos. Inseguranças a serem superadas, angústias aliviadas, perguntas que clamam por respostas, ansiedades incontroláveis... Amor novo é bom, mas, não é fácil. Ele não carrega o fardo da certeza das relações seguras, mas, convive com o frescor do incerto de num dia acreditar no “pra sempre” e no outro receber o “adeus”. E isso não tem nada a ver com amor eterno. Já faz muito tempo que deixei de acreditar nele. Troquei a eternidade pelo amor-vínculo.

Por isso acho boa vontade determinante. É com ela que se apara arestas. É ela que oferece o olhar de compreensão e não de acusação ou julgamento. É ela que ajuda a não desistir no meio do caminho porque um gosta de heavy metal e o outro de axé, pelo contrário, há soma, até porque nunca fui favorável a amar uma cópia de si mesmo (onde estaria a novidade inicial?), ela faz com que a gente se de uma chance. E é nesse compartilhar, que eu crio o vínculo, que eu passo a respeitar o outro com seus limites, anseios, desejos...

Os caminhos do amor são tortuosos e eu confesso que já pensei em sair deles muitas vezes, simplesmente por não conseguir controlá-los. Minha solidão é minha. Já o meu amor é do outro e está nas mãos desse outro aceitar ou recusar e ainda que eu corra o risco da dor, eu agradeço por até hoje ter tido boa vontade e fé e ter me arriscado. Se já sai arranhada? Diria que todas às vezes. Mas, ainda assim não troco o frescor do novo, o desgaste do fim e a esperança de novidade novamente...

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei o texto, muito bom..
Estou passando por um momento péssimo em minha vida, tinha um casamento lindo, um verdadeiro mar de rosas, até descobrir que meu marido, curtia dar em cima de outras mulheres,não descobri traiçõesmas foi o suficiente me acabei com isso, a cada dia que passa faço meu casamento piorar, me tornei uma pessoa doente,paranoica vejo tudo onde não tem nada, estou acabando com meu casamento, mas não consigo mudar, amo meu marido loucamente e não sei o que fazer para não perde-lo...
Este foi mais um desabafo....

Anacris Maia disse...

Olá, Flor...
Li seu comentário (desabafo) há alguns dias e não o respondi de imediato, porque entendi que de fato você não procura conselhos e sim, uma forma de "colocar pra fora". Pensei muito no que escreveu e compreendo sua "paranóia" porque acredite ou não há momentos em que me vejo assim. Não é fácil dizer algo que amenize o que está sentido, porque é a sua realidade, é a forma como você vê o mundo, mas, penso que cabe a você se libertar disso que está acontecendo. Você escreveu que o ama muito e que não pegou uma traição, em teoria, seu marido não chegou nas vias de fato. Não sei se o que ele faz é só dar uma olhada para alguma gostosa na rua - o que vamos confessar, todos eles fazem - ou se ele fica cantando mulheres, propondo saídas, enfim, te desrespeitando. Volto a esclarecer, não é um conselho, só uma dica, uma outra perspectiva da situação! Mas, se o caso do seu marido for o de só dar uma olhadinha na rua, você deve relevar, perdoar e seguir em frente, sem neuras, sem cobranças. Recomece sua relação. Se reconquistem de novo, como quando se conheceram e evite - sei que é difícil - mas, pare de alimentar esses monstrinhos que te enlouquecem e intoxicam sua relação. Agora, se está havendo um desrespeito maior, aí você deveria pesar os prós e contras, dar uma olhada para si mesma, sua auto estima e ver se vale a pena continuar como está. Espero que quando ler este comentário você esteja melhor e sua relação também. Grande beijo e se cuide!!!