segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sex and the City 2 (Torcendo pelo Terceiro!!!)

Por: Anacris Maia


Sábado à tarde, dia de sol agradável somado a um friozinho na medida. Dia perfeito para colocar uma roupa bem charmosa – afinal, a ocasião merece – e ir ao cinema arrastando o namorado para assistir Sex and the City 2. Eu, fã e órfã da série contava os dias, esperava ansiosamente a estréia, que foi na sexta, dia 28/05, para matar saudade e rir com as quatro mulheres mais fabulosas do cinema.
Como as minhas expectativas estavam pra lá de altas, talvez o texto soe mais crítico que fanático, mas, essa não é essa minha intenção. Este texto é a primeira impressão de uma fã apaixonada, que vê e revê a série sempre que pode, assim sendo, talvez cega pela paixão e pela expectativa, eu exagere um pouco na chatice, mas, não significa que o filme é ruim – ele tem algumas falhas, é verdade – apenas que foi diferente do que eu estava aguardando.

Se no primeiro filme Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) estavam se adaptando a nova vida de casada e enfrentando algumas realidades, Samantha (Kim Cattrall) estava dividida entre sua vida antiga, onde cada noite era possibilidade de uma boa transa, e uma relação estável, enquanto Carrie (Sarah Jéssica Parker) preparava para o tão sonhado dia do casamento com Big e o desfecho da tumultuada relação.

Neste segundo filme, as angústias agora giram em torno da confortável, porém, tediosa vida de casada, da estressante atividade de “mãe” e da busca por manter a juventude. Tudo abordado com muito bom humor, sacadas incríveis, conversas inteligentes com um toque de sinceridade e cinismo. Há cenas antológicas que se tornarão inesquecíveis para os fãs da série. Samantha sem dúvida é a estrela do filme, interpretação fantástica e cenas memoráveis como o desabafo no meio de uma feira lotada de conservadores religiosos no Oriente Médio que a olhavam com desaprovação por ter na bolsa inúmeras camisinhas: “é, eu faço sexoooo”. Simplesmente demais.

Bom, mas não estou aqui para cortar o barato de ninguém, portanto, encerro aqui os detalhes do filme para me ater a assuntos um pouco mais técnicos. A idéia do filme é muito bacana e de fácil identificação com os personagens, porém, o roteiro conseguiu perder esse foco e mostrou-se um pouco fraco e desconexo perdendo a oportunidade de explorar melhor as histórias das personagens. Apresentam-se os dilemas e a gente fica torcendo para que tudo dê certo no final – afinal, estamos falando de filmes, Hollywood – e o que acontece é uma explicaçãozinha muito da clichê, pouco densa e não condizente com Sex and the City.

Outra coisa que me desagradou: figurino. Mulherada, é público, notório e unânime que Sex and the City é glamour, moda, grifes, ostentação. É pra gente morrer de inveja, desejar todos os Dior, Chanel, Oscar De La Renta, Manolo e afins. Eu senti falta de um visual mais chique, mais Nova Iorque. Acompanhando algumas matérias que estavam circulando antes da estréia do filme, li que o figurino seria mesmo um pouco menos glamuroso devido à crise econômica que assolou o país. Até aí, tudo bem, mas, eu estou indo ao cinema para assistir um filme extremamente fashion e não um documentário cabeça sobre a história da economia americana.

Mas, uma coisa é certa, o filme vale o ingresso e no meu caso uma segunda vez, as críticas apontadas são apenas detalhes. Rever as aventuras e romances dessas quatro, somada a franqueza dos diálogos é garantia certa de diversão e leveza. O tema central do tédio nas relações estáveis que já perderam aquele fogo inicial, somado a luta pela sobrevivência e pela preservação da sanidade durante o exercício de ser mãe garantem não só boas risadas e discussões, mas, quebram também o discurso hipócrita e moralmente aceito.

No mais, só posso torcer para que Carrie Bradshaw continue com olhar perspicaz, compartilhando dilemas amorosos com tanta graça e humor, colaborando para que não nos sintamos sozinhas diante dos nossos próprios dilemas relacionais. Eu continuo na saudade, revivendo bons momentos com a série e aguardando ansiosamente o terceiro. Vida longa a Sex and the City.


Kim Cattrall está fantástica na pele de Samantha Jones.
Ela é a estrela do filme. Na foto, visual retrô, anos 80.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A música era para ser no final do texto, mas, por falta de instrumentação do Blogger (ele não entende o que eu quero!) ou de habilidade da blogueira depois de postar e editar umas 10 vezes, literalmente, eu desisti...

Salão de Beleza (Zeca Baleiro)

Vem você me dizer que vai ao salão de beleza.
Fazer permanente, massagem, rinsagem, reflexo e outras cositas más.
Baby você não precisa de um salão de beleza,
há menos beleza num salão de beleza,
a sua beleza é bem maior do que qualquer beleza de qualquer salão.

Mundo velho e decadente mundo ainda não aprendeu a admirar a beleza.
A verdadeira beleza,
a beleza que põe mesa e que deita na cama,
a beleza de quem come,
a beleza de quem ama,
a beleza do erro do engano da imperfeição.
Belle belle como Linda Evangelista.
Linda linda como Isabelle Adjani

O padrão que aprisiona

Postado em: 16.08.2009

Por Anacris Maia

Há muito tenho me incomodado com essa ditadura da beleza pregada pela mídia. Seja porque como mulher, sinto na pele o fato de não ser loira, escultural e de beleza padrão europeu, seja por ver amigas sofrendo essa pressão constantemente, insatisfeitas com seus corpos, querendo ser mais peitudas, menos peitudas, mais gordinhas, mais magrinhas, mais bundudas, menos bundudas, ter cabelos enrolados, ter cabelos lisos, ter olhos azuis... Ufa!!! Ser mulher nunca foi fácil, mas hoje, somos violentadas diariamente por padrões impossíveis de se alcançar e o que é pior, não percebemos essa violência.

Se apenas agora resolvi manifestar meu pensamento foi por ter lido um artigo onde grandes empresas de cosméticos (com certeza você tem um shampoo, um creme para pele, um desodorante com essas marcas aí na sua casa) em suas propagandas na Ásia e África divulgam produtos para clareamento da pele. Isso mesmo, para as peles morenas ficarem brancas. Está claro que o conteúdo da propaganda é racista. E sempre é bom lembrar que a última tentativa de implantar a “raça pura” no mundo terminou em holocausto.

Não vou me ater ao conteúdo da matéria, ao final deste artigo deixarei o link onde a li. O que mais tem me indignado e incomodado é como cada vez mais estamos insatisfeitas com nosso próprio corpo. E não é porque não temos auto-estima, não nos valorizamos... Isso é papo furado que os ditos “formadores de opinião” se utilizam para não colocar a discussão num nível menos senso comum.

Outro dia, assisti a um vídeo que andou rolando pela rede mostrando como a Dove “monta” a modelo que irá representar seu produto. E digo monta, porque literalmente é isso que ela faz: além dos recursos “naturais” como maquiagem e cabeleireiro, o photoshop corre solto, alongando pescoço, arqueando sobrancelhas, tornando olhos mais expressivos e um rosto mais marcado. Não que esses recursos sejam novidade, sabemos que as revistas se utilizam dele seja para esconder pequenas imperfeições, seja para criar Barbies. Ao final desse vídeo, vem a frase: “nosso conceito de beleza está distorcido”. E está mesmo!

A mulher em toda história sofreu repressão, sempre foi oprimida e sempre lutou para conquistar seu espaço e seus direitos. Hoje, a mulher é oprimida da pior maneira, porque é uma opressão sutil, com jeito amigável. É uma opressão que sabe vender seu produto, sabe atingir nosso ponto fraco ao passar a impressão de que usando o batom X, o shampoo Y ficaremos tão lindas e sensuais quanto as modelos que utilizam o produto. Quando se alimenta sonhos, desejos e se estimula pseudo-possibilidades é mais fácil se tornar refém. O discurso diz o que queremos ouvir, por isso, é mais difícil nos libertar ou o que é pior, perceber que estamos aprisionadas.

E não estou dizendo que sou contra o uso de batons, um perfume gostoso, um cabelo bonito e uma roupa que nos valorize. Acredito que é da natureza feminina se cuidar, ser bonita... Mas o que me preocupa e também me entristece é essa padronização, essa “igualdade” no pior sentido que quer transformar todas nós em bonecas plastificadas e sob medida, sem marcas e impecáveis.

Quero saber onde nós, mulheres de verdade, que um dia fomos meninas, que brincávamos e caímos e portanto, temos cicatrizes no joelho ou em qualquer outro lugar ficamos? Onde fica a diversidade, a pluralidade da mulher com seus cabelos lisos, encaracolados, ondulados? Mulheres de tantas raças, de cabelos loiros, ruivos, pretos, castanhos, brancos, de olhos azuis, verdes, pretos, castanho? Que droga de mídia é essa que consegue me deixar tão insatisfeita com quem eu sou?

Isso para mim é desumano, é desleal e surreal, afinal, os padrões que nos pregam não são reais. As imagens que aparecem na televisão e nas revistas são muito bem produzidas, detalhadamente estudadas, luzes colocadas em lugares estratégicos para salientar ou esconder, o cabelo é cuidadosamente arrumado... Até aquela franja com ar displicente foi muito bem ajeitada para passar essa impressão. Nada é natural, tudo é programado.

E volto a salientar, o problema não está na vaidade e sim em querer ser o que não se é e o que é pior, alguém que não existe, alguém modificado em computador, alguém que passa por uma transformação radical para vender promessas de milagre. Chega! Olhemos em volta, percebamos nossas amigas, nós mesmas... Cada uma diferentemente linda.

Deixemos nossos cabelos cacheados e encaracolados soltos, sem medo de ser feliz, vamos curtir nosso corpo, nosso estilo, nosso charme... A gente perde muito tempo tentando ser gostosa demais. Mas, afinal, quem determina o que é ser uma mulher gostosa ou não? A mídia prega uma regra, mas não quer dizer que não tenhamos exceções. Minha experiência e observação mostram que os homens, felizmente não são iguais e tem gostos muito variados. Então, ao invés de queimarmos sutiãs em praça pública, vamos revolucionar a nossa cabeça: basta desse lixo que intoxica nossa vida e nos reduz a lixo quando nos comparamos às capas de revista.

Vamos assumir nossa diferença, curtir mais quem somos e não quem gostaríamos de ser. Vamos nos cuidar sem exageros, obsessões, correntes... Quem sabe assim, mais livres, refletiremos de fato uma beleza real e não aquela idealizada pelos meios de comunicação em parceria com as indústrias de cosméticos.