segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Romantismo, sempre ele!!!

[Inédito]

Por Anacris Maia

Nove de cada dez mulheres que eu conheço reclamam da falta de romantismo de seus namorados, maridos ou rolos. Antes que as precipitadas, emancipadas, feministas, modernosas e afins, leiam romantismo com a visão ingênua de príncipe encantado e comece seu discurso pró liberação feminina eu explico: falta de romantismo aqui tem mais a ver com cumplicidade, zelo, respeito, atenção e parceria do que com declarações de amor fantásticas do tipo avião espalhando pétalas de rosas na nossa casa, puxando uma faixa com os dizeres: “Fulana, EU TE AMO!!!”

E eu confesso que faço parte desse grupo nove entre dez. Por experiência e por observação, tenho identificado que de fato anda faltando um pouco de finesse para os homens. Não sei se somos nós que nos emancipamos demais e agora eles acham que estão lidando com uma réplica mais bem feita que o original de seus amigos ou se o fato de não sermos mais mocinhas tão delicadas e ingênuas os façam pensar que não gostamos mais de certos cuidados e mimos.

O que os homens ainda não compreenderam é que independente da força que expressamos e da autonomia que adquirimos continuamos a buscar um colo no final do dia para nos aconchegarmos depois de um dia exaustivo de trabalho. Outra coisa que eles ainda não perceberam é que numa sociedade como a nossa onde todos são iguais e somos tratados como seres pasteurizados, esperamos de pelo menos quem a gente ama um pouco da sensação de ser única e especial.

Outra coisa que nos cansa é a falta do “olhar de novidade” que vocês perdem quanto mais tempo ficam conosco. Se antes despertávamos a curiosidade e instigávamos os sentidos, depois de alguns anos de relacionamento vocês nos olham como se já tivessem nos descoberto. Como se a pessoa que vocês conheceram anos atrás é exatamente a mesma de agora! Essa presunção masculina de nos determinar faz com que muitos homens, fixados no momento em que nos conheceram, não consigam perceber as mudanças e a mulher que constantemente nos tornamos.

Quer ver outra reclamação comum? Descuido. Pois é, todo homem acha que mulher só se conquista uma vez, ou seja, quando está em início de namoro. Já perceberam que homem em início de namoro é perfeito? Manda flores, te torpedeia de uma em uma hora, liga para dizer que está com saudades, te convida para ir ao cinema numa segunda-feira só porque não agüenta esperar até o final de semana para te ver, enfim, é uma maravilha. Esse é o sonho também de dez de cada dez mulheres.

Só que tempo vai, tempo vem, chega uma hora que ficar fazendo tudo isso cansa. E então se antes eles nos sufocavam, agora deixam a gente livre como papel no vento... Ah, que saudades do início de namoro! Outro conselho comum é “início de namoro é ótimo! Curta bastante!” Mas, o problema é justamente esse: a gente curte tanto, que depois fica com saudades...

É óbvio que os relacionamentos mudam com o tempo e é ótimo que isso aconteça, afinal, mostra que o casal está amadurecendo junto. Porém, por que normalmente essa mudança significa diminuição de afeto e romantismo? Afinal, supõe-se que um casal que se mantém junto depois de tanto tempo seja por amor e não por acomodação ou medo de solidão.

Uma relação precisa sim, de uma dose de romantismo, de sedução. Sabemos que não será assim todos os dias e em todos os momentos, mas, acredito que vale a pena reservar alguns dias do ano para celebrar o amor, para aquecer a relação. Se acomodar é aceitar menos do que se merece e se chegou a esse ponto, acho que é o momento de partir para outra, arranjar outros amores. E isso, diferente do que muitos pensam, não é ser volátil é tentar ser feliz.

Acredito que quando há amor, paixão e entrega gostamos de conquistar o outro no dia-a-dia, com detalhes: uma comidinha gostosa preparada por nós mesmas, um bilhetinho carinhoso pregado na geladeira desejando um excelente dia, colocar um Sonho de Valsa na pasta do namorado, enfim, qualquer gentileza que mostre ao outro o quanto ele é especial.

Quando nos esquecemos desses detalhes e pensamos que o outro tem bola de cristal ou alguma capacidade premonitória de adivinhar o quanto é amado estamos perdendo um tempo precioso de declarar aquilo que sentimos e infelizmente a maioria das relações acabam pelo infindável e tedioso silêncio dos dias comuns do que pelas acaloradas brigas que terminam em tórridas noites de amor.
Créditos das Fotografias
Foto 1: O beijo do Hotel de Ville, Paris, 1950, Robert Doisneau
Foto 2: O beijo - Boulevard Diderot, , Paris, 1969, Henri Cartier-Bresson
Foto 3: O beijo em Times Square, Nova Iorque, 1945, Alfred Eisenstaedt

3 comentários:

Bárbara disse...

Oi amiga! Mas que lindo isso! Romantismo é essencial! A novidade do começo de namoro é a parte mais agradável, onde tudo é novo, mas tem como alimentar isso, amar e não sufocar, agradar a pessoa amada sempre, dar a distância necessária a saudade, entender o temperamento da pessoa amada e por aí vai! A sedução e conquista não podem terminar, é fácil dizer "já conquistei mesmo", lembro que na adolescência que tinha uma amiga que estava afim de um garoto, ela conseguiu e os dois namoraram, uma vez conversando com ela sobre ficar sempre bonita ela disse "ah eu não ligo para me arrumar não, já tenho meu namorado", achei aquilo o cúmulo, rs
É inevitável, amor e beleza andam juntos, um ligado ao outro. Amor é beleza e beleza é amor.
Se já está com a pessoa não se pode conquistá-la mais? Porque se fica sempre no mesmo e na mesmice a relação vai para frente? Muitas vezes vai, pior que vai, mas cai no comodismo, amiga eu confesso que fico entediada de só a minha parte dar atenção, acho que isso desanima, vc disse que eles perdem o sentido de novidade, mas será que não perdemos mais rápido ainda? rs
Ou é igual? Tem relação que nos faz perder mais rápido o interesse, outras não, mas nossa eu acho que me entedeio tão fácil, sinceramete, acho que já lhe disse issos aqui, meu primeiro namoradinho foi na adolescência e eu fiquei acho que menos de duas semanas com ele, não gostava dele então ficava difícil, rs,
Outro namorico fiquei umas duas semanas (ou 2 meses, não lembro, rs) e não aguentei também, kkkkkkk, namoros, casinhos e ficadas da adolescência e juventude é sempre bom hehe, nos meus namoros mais longos confesso que tédio também rolava, não sei se isso é algo que acontece comigo ou a relação como um todo entediava, mas mesmo assim eu sempre gostei de agradar, não queria perder o interesse porque eu sabia que se fosse só da minha parte eu chegaria no tédio da relação kkkkkkkkkkkkkk
Sobre o que vc escreveu:

"Acredito que quando há amor, paixão e entrega gostamos de conquistar o outro no dia-a-dia, com detalhes: uma comidinha gostosa preparada por nós mesmas, um bilhetinho carinhoso pregado na geladeira desejando um excelente dia, colocar um Sonho de Valsa na pasta do namorado, enfim, qualquer gentileza que mostre ao outro o quanto ele é especial."

Ai amiga isso é uma delícia, da paixão mais forte que eu tive fui conquistada pelos carinhos da pessoa, que no primeiro dia que saimos me trouxe chocolates, queríamos ficar sempre grudados, eu sempre o agradava mas como disse, se o outro só quer receber eu fico entediada, porque cadê o lindo que eu conhecia? Era para me conquistar tudo aquilo ou o quê? rs
Ambos gostam de agrados, se eu gosto ele gosta e vice-versa, e a relação se faz assim! Daí me pergunto, o amor acaba quando esse tipo de falta de romantismo entra na relação ou é a mesmice do dia-a-dia mesmo? Tudo bem que cobranças não são legais mas querer amor e não dar amor e ficar neutro é egoísmo, só pode, rs
Um jantar romântico especial, uma noite de amor com muito jogo de sedução, lindas roupas, lingerie e maquiagem, perfumes para encantá-lo, dançar, músicas, ai que amor, eu deveria ter nascido na França ou na Itália, kkkkkkkk
Uma relação de amor precisa de sedução e sensualidade, não tem como, ceder também faz parte do amor, não digo que ceder a tudo, mas o equilíbrio em ceder faz parte!
Acho que uma das coisas que destrói relações também é querer que o outro seja o que queremos que ele seja, e quando se consegue mudar essa pessoa se desinteressa, rs

Bárbara disse...

Para não ficar estranho o que coloquei ali em cima sobre adolescência e juventude, quis dizer adolescência e final da adolescência, já que somos jovens, kkkkkkkk

Amei o texto
Bjokas

Anacris Maia disse...

Olá amiga... Escreveu mesmo hein! Mas, uma das coisas que fiquei refletindo foi sua pergunta sobre o que leva o fim dos relacionamentos: a falta de romantismo ou a mesmice do dia-a-dia? Confesso que não achei uma resposta que me agradasse, mas, continuo acreditando que na correria dos dias comuns, a gente tem a possibilidade de fazer alguns especiais, marcantes. Ainda acredito que quando gostamos de alguém, estamos apaixonados, amamos conseguimos com coisas simples demonstrar o quanto o outro é especial para nós e faz nossos dias melhores. Não acredito e não sou de grandes feitos românticos, mas, acho que consigo, na medida do possível tornar algumas coisas especiais.
Quanto a um romance de mão única onde só um dá e o outro fica neutro, aí não tem jeito né? Existe uma diferença entre ser reservado e indiferente. E convenhamos, indiferença é f...!
Também tenho consciência que não dá para viver como eternos apaixonados, uma hora a relação fica mais tranquila, mais cheia de paz, mas, não significa que temos que deixar de lado toda a sedução, o bom humor, a leveza, os carinhos... Beijos, adoro seus comentários!!!