quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O tédio nosso (meu) de cada dia

Postado em 09.04.2009

Por Anacris Maia

É quinta-feira à noite e estou escutando James Blunt, KT Tunstall e outras coisas do gênero. Até antes de começar a escrever estava deitada na minha cama olhando para o teto. Às vezes cantava um refrão, outras vezes ficava pensando no que eu gostaria de fazer nessa noite quente e agradável. Quem sabe um cinema? Não sei o que está passando, mas, também não me importo. Um barzinho? Tomar cerveja e ficar falando besteira e rindo à toa? Proposta tentadora! Até balada está valendo, qualquer coisa para ouvir música alta, gritar/cantar para exorcizar dias ruins. Ok, sei que estamos na Semana Santa e provavelmente nenhuma boate vai cometer o sacrilégio de abrir, mas, a verdade é que eu não me importaria de estar numa.

Continuando a minha lista, talvez um jantarzinho gostoso num lugar romântico onde pudesse trocar carinhos...(suspiro). Qualquer uma dessas opções me deixaria bem mais alegre e animada do que estou agora. Sem vida social, resta-me apenas música e livros. A sedução e as intrigas de As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos consegue me tirar um pouco da mesmice. Quando quero dar um pouco de risada, leio Dewey, um gato entre livros, de Vicki Myron. Enjoada dos livros vou ver se tem alguma matéria interessante na Galileu do mês e em última instância vou ler os pensadores românticos para a prova de semana que vem.

Como podem ver, minha vida é interessante (estou sendo irônica, por favor!). São tantas aventuras na ficção e tão poucas na vida real. O bom e velho bigode Friedrich Nietzsche já falava sobre a importância de experimentar mais a vida ao invés de só lê-la pelos livros – sejam de literatura ou filosofia.

Eu adoro escrever para o Produção, mas – perdoem-me os leitores fiéis – se hoje o faço é por pura falta de opção. Preferiria muito mais estar fazendo algo que rendesse histórias mais interessantes, porém, sem material empírico, só me resta compartilhar do meu tédio com vocês.
Bem que a vida pelo menos uma vez ou outra podia ser como nos filmes, onde no momento exato o telefone toca ou se é surpreendida com alguém interessante quando se está totalmente sem esperança de que algo aconteça. A gente sabe que não é. Por exemplo agora, por mais que eu faça um exercício telepático e tente entrar na mente do meu namorado para que ele se convença de que está com saudades e se anime a vir me ver, isso não acontece. Meu celular não dá nem sinal de vida.

Vocês podem estar se perguntando: “por que você não liga para ele?”. Não ligo porque quero evitar o desgaste de escutar que ele não vem, que está cansado, que não quer pegar a Dutra em véspera de feriado etc, etc. Pelo menos escrever para o Produção me distrai e impede que eu faça besteiras.Em suma, os próximos dias não serão muito diferentes. Não tenho nada programado no meu roteiro de vida real. Quem sabe, assim como nos filmes, alguma coisa inesperada aconteça nesses dias e na segunda-feira (ou até antes disso), eu venha postar alguma novidade, dessa vez algo mais empolgante, entusiasmado. Minha razão me faz acreditar que nada vai acontecer, porém, não consigo abandonar a fé dentro de mim de que alguma coisa poderá acontecer amanhã ou depois ou depois... Eu vou torcer!