sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Por enquanto, tchau

Por Anacris Maia

Quando foi que a gente deixou de se ouvir? Qual foi o momento que gerou mágoa ou decepção a ponto de se cristalizar, tornando insignificante qualquer fala do outro? Quando foi que a gente deixou de se ouvir, quando foi?

Você diz que não suporta minhas cobranças e eu não suporto sua indiferença. Situações insuportáveis que tornaram a nossa relação insuportável e a gente não soube superar, ou não quis superar. A minha reação, causava a sua reação, que causava a minha reação, como num círculo vicioso e tóxico.

Um de nós deveria ceder. Mas, como ceder quando a gente já está vendo no que isso vai dar? Como ceder, quando a gente já não sabe mais se as coisas que sonhamos juntos queremos continuar sonhando? Como ceder diante de tanto cansaço, tanto desgosto, é mais simples ficar olhando tudo se esvair e caminhar até o fim inevitável.

A paixão e os sonhos estão no passado. Saudades de quando éramos felizes. A gente se divide entre o que é preciso fazer e o medo da dor e da solidão. Eu queria que fosse diferente, e acredito que seria diferente, mas, orgulho e teimosia não são bons conselheiros embora sejam os mais convincentes.

Além de surdos um para o outro, não nos vemos. Eu ignoro o mal que te causo e você e mal que me causa, aliás, justificamos nossas ações, mas, justificar não significa buscar solução, significa apenas mais uma forma de desculpa, de não querer dar o braço a torcer. Somos cegos para nossas ações e situações.

Quero ficar, mas, não sei se você quer segurar minha mão. Eu sinto sua dúvida, seu medo. Eu também tenho dúvidas. Na verdade, nunca soube se fui seu grande amor ou só um estepe e você nunca soube lidar com isso.

Nossa cegueira e surdez nos separaram. Passamos um tempo da nossa vida tentando impor um para o outro nosso ponto de vista, nosso jeito de levar a relação. Nas nossas conversas, prometíamos mudanças que nunca aconteceram. Eu queria de um jeito, você queria do seu.

Na verdade a gente queria que desse certo, mas, certo para quem? Se todos os acordos, planos e promessas nunca passaram disso, palavras vazias, sem nenhuma ação. A gente está exatamente onde queria estar, porque não movemos esforço algum para estar diferente.

Já sinto saudade, saudade do que éramos e do que poderíamos ter sido. Saudades de todas as oportunidades perdidas que poderiam ter nos tornado melhor. Saudades de quando eu sonhava com a gente. Hoje a realidade cai pesada, rompendo com possibilidades. Se eu te amo? Muito. Se faria diferente? Certamente. Mas, nem todas as relações acabam por falta de amor e segundas chances estão mais raras. Já estou sentindo muita saudade.

Dessa Vez

Composição: Nando Reis

É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer

É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem

Foi bom se apaixonar, foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais
dessa vez..
Foi tão bom e porque será
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar mas eu só posso te dizer
Por enquanto, que nessa linda estória os diabos são anjos

É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei eu te amo

2 comentários:

Anônimo disse...

David Silva

Alguém tem q ceder! Adorei sua postagem! é minha realidade...

Anacris Maia disse...

Obrigada David!!! E acredito que essa não seja apenas a sua realidade, mas, a de muitos casais por aí!!! Beijos.