quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Os relacionamentos e os hábitos

Por Anacris Maia

Normalmente somos quase unânimes em condenar a rotina, culpada pelo amornamento das relações. Todos os dias as mesmas coisas, finais de semana freqüentando os mesmos lugares, o cinema de praxe e até mesmo as mesmas posições na hora do amor.

Foi pensando nisso, que cheguei a conclusão de que não é a repetição das mesmas coisas que amornam as relações, afinal, se vamos ao mesmo restaurante é porque gostamos da comida, sentimos prazer em assistir um filme no escurinho do cinema, sujeito a beijinhos e pipoca e o fato de não testar as posições do kama sutra, pode apenas significar que descobrimos o nosso jeito de amar e que ele é gostoso.

Acredito que o que provoca o fim das relações são nossos hábitos, não nossa rotina. A maioria de nós sabe que dias extraordinários, são de fato extras, no meio da existência ordinária. Já os hábitos, confundem, camuflam, escondem nosso modo piloto automático, até que um dia, nem sentimos mais e não sentimos que chegamos nessa situação.

Eis que aí, surge o tédio que nada mais é que a falta de sentido, falta de sentir... Mantemos um compromisso, sabe-se lá com quem, menos com a gente mesmo. Vamos ao cinema as quintas, porque estamos habituados, mas, nem percebemos que os beijinhos no meio da sessão não aparecem mais. E de repente, ir ao cinema perde a graça.

Não sabemos mais se ligamos para o outro no fim do dia por saudade ou hábito ou o que é pior, obrigação. Seria necessidade? A voz do outro lado já não causa o frio na barriga inicial, típico das paixões, mas, também não causa a alegria aconchegante do se sentir amada. Não é a rotina que perdeu a graça, nós é que perdemos o sentir.

Continuamos fazendo as mesmas coisas que antes nos tornavam felizes, mas, o riso já não vem tão fácil, nem a companhia tão instigante. Continuamos pelo hábito de continuarmos juntos e com isso, nos habituamos a aceitar bem menos do que merecemos. E por medo de perder nosso hábito caímos na tentação de recorrer a receitas prontas das teorias de psicanálise para nos reerguer do desgaste. E o pior, nos habituamos a não sentir e achamos isso comum.

Não acredito nessa tal serenidade a qual rotulam amor. Talvez, estejamos confundindo amor, com tédio, falta de entusiamo, obrigação, necessidade... Talvez, eu não saiba o que é o amor, mas, me incomoda o não sentir e ainda que eu não saiba o que é amor, sei que quando o sinto, ele me faz sentir alguma coisa.

Aberto
(Zélia Duncan)

Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos outros,
Apesar dos medos,
Apesar dos monstros nos meus pesadelos

Vou tentar manter o coração aberto pra você,
Apesar dos trincos,
Apesar dos trancos,
Apesar dos dias repetidos que são tantos.

Eu vou tentar manter o coração aberto pra vc.
Apesar da chuva,
Apesar da rua,
Apesar da hora,
Apesar dos pesares, das canções, dos lugares,
Apesar dos meus pensamentos, dos perigos, dos próximos momentos.

Eu de coração aberto pra você,
de coração aberto pra você.

6 comentários:

Carine disse...

Amiga,

vc escreve lindamente!

amei a frase: "nos habituamos a aceitar bem menos do que merecemos".

Sou sua fã!

Anacris Maia disse...

Obrigada, amiga!!!

Suas palavras são muito importantes pra mim. Te gosto muito!!!

Viii Lourençoo, disse...

adorei o seu blog, muito criativo, e muito bem escrito, concordo com a maioria das postagem, gostei muito mesmo do blog *o*
beijos ;*

Anacris Maia disse...

Olá Vi, tudo bom?

Obrigada por ter gostado e se identificado com os escritos do Produção de Calcinha!!! Espero que acompanhe sempre as postagens e sempre que possível, comente!!! Grande beijo e mais uma vez, obrigada!

Viii Lourençoo, disse...

tudo sim , e você ?
Bom , pode deixar estou acompanhando,
você escreve muito bem , e escreve coisas que a maioria das mulheres sentem , é um blog muito bom ,
beijos ;*

Vitríolo de Marte disse...

o amor?
nao é invenção humana. nunca o entenderemos. quando muito, podemos sentir.
não sendo humano exclusivamente, é algo que nos contém, é maior que nós. não vive em nosso coração: nosso coração é que pode ter a graça alcançada de viver nele.
não é exclusividade de homem e mulher, casais homos ou demais variantes: é universal.
o amor é um presente cósmico que nos ensina a ser humildes, cuidar, servir. é algo sobre o qual nós é permitido participar, para que assim possamos evoluir sempre.
grande abraço fraterno.